RESENHA BIBLIOGRÁFICA: Rikap, C. (2026). Teoria da dependência digital. Soberania e desenvolvimento no capitalismo do século XXI. Buenos Aires: Caja Negra. 240 p. ISBN 978-987-8272-48-1.
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Palavras-chave

Monopólios intelectuais
dependência digital
soberania tecnológica
inteligência artificial
América Latina

Como Citar

San Román, C. (2026). RESENHA BIBLIOGRÁFICA: Rikap, C. (2026). Teoria da dependência digital. Soberania e desenvolvimento no capitalismo do século XXI. Buenos Aires: Caja Negra. 240 p. ISBN 978-987-8272-48-1. Ciencia, Docencia y Tecnología, 77(37 (may-ago). https://doi.org/10.33255/3777/2653

Resumo

O livro de Cecilia Rikap propõe uma teoria da dependência digital para explicar a inserção subordinada das economias periféricas no capitalismo do século XXI, cuja dinâmica já não é determinada por Estados nacionais, mas por um punhado de monopólios intelectuais  -com Amazon, Microsoft e Google à frente- que controlam a produção e a apropriação de conhecimento em escala global. Ao longo de cinco capítulos, a autora demonstra que essas corporações operam mediante sistemas corporativos de inovação que subsumem Universidades, start-ups, Estados e empresas de todo o mundo, extraindo valor sem ceder controle. A periferia digital latino-americana não apenas importa tecnologia, mas exporta dados e conhecimento coletivo -o que Rikap denomina extrativismo gêmeo- reproduzindo, sob novas formas, a lógica histórica do subdesenvolvimento. A análise do trabalho revela um ciclo de desqualificação acelerado pela IA generativa, que substitui tarefas criativas, disciplina os trabalhadores e aprofunda a desigualdade. Diante deste diagnóstico, o último capítulo propõe uma agenda alternativa centrada na soberania digital popular: planejamento democrático do ecossistema tecnológico, internacionalismo tecnológico e instituições públicas que governem a produção de conhecimento. O livro constitui uma contribuição teórico-analítica com suporte documental que mobiliza evidências existentes para construir um novo marco interpretativo, relevante para repensar as condições de possibilidade do desenvolvimento em um capitalismo crescentemente governado por corporações que são, simultaneamente, empresas e infraestruturas globais.

https://doi.org/10.33255/3777/2653
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